A falta de autogestão e a história de Marli

Vamos bater um papo sobre autogestão no coaching usando a história real de Marli (usei um nome fictício para não identificar a pessoa), uma mulher batalhadora da zona rural de Paragominas, no Estado do Pará que sonhava em empreender. Marli, aos 35 anos de idade, decidiu que queria fabricar calcinhas em sua propriedade e vendê-las na cidade. Um sonho legítimo, mas que acabou se transformando em um exemplo clássico de como a falta de autogestão pode colocar tudo a perder.


O SONHO DE MARLI


Tudo começou com uma ideia. Marli, cheia de vontade, pensou: “Por que não fabricar minhas próprias calcinhas? Assim ganho meu dinheiro, trabalho na minha propriedade e ainda vendo na cidade!” Até aí, tudo certo. Afinal, o empreendedorismo começa com um sonho. Só que um sonho precisa de planejamento, organização e, principalmente, autogestão para se tornar realidade.


Marli buscou apoio financeiro e orientação da prefeitura para dar início ao negócio. Em um encontro informal com Cigele (também um nome fictício para não identificar a pessoa pública), uma conhecida mais experiente, ela recebeu um conselho direto: “Marli, fabricar calcinhas pode até ser legal, mas olha o custo e o trabalho que isso vai te dar! Você vai ter que comprar tecido na cidade, levar para a zona rural, fabricar as peças e depois voltar para vender. Por que você não investe em algo mais prático, como criar galinhas caipiras e vender na cidade? É mais simples e dá mais retorno.”


O CONSELHO IGNORADO


Marli ouviu, mas não processou. Ela estava tão empolgada com a ideia de fabricar calcinhas que descartou o conselho sem refletir profundamente. Essa é a primeira demonstração da ausência de autoconsciência – uma habilidade fundamental para quem deseja gerir a própria vida e os próprios negócios.


Autoconsciência é a capacidade de entender seus pensamentos, emoções e comportamentos, identificando como eles impactam suas decisões. Se Marli tivesse parado para analisar suas reais condições, talvez tivesse percebido que a sugestão de Cigele fazia sentido. Mas Marli seguiu em frente. Investiu no negócio das calcinhas, montou seu espaço na propriedade, começou a produção e… o sonho virou pesadelo, misturado com o desânimo com a rotina que crescia a cada vez que ela tinha que vir à cidade.


OS DESAFIOS DA FALTA DE AUTOGESTÃO


Autogestão é a habilidade de planejar, organizar e executar tarefas de forma eficaz, enfrentando desafios com resiliência e foco nos objetivos. No caso de Marli, faltou autogestão em várias etapas:


1. Planejamento Financeiro e Logístico 


Marli não calculou os custos envolvidos. Comprar tecidos na cidade e transportar para a zona rural aumentava os gastos. Além disso, ela subestimou o tempo e o esforço necessários para produzir e vender as calcinhas.


2. Gestão do Tempo


Com o negócio demandando várias idas e vindas entre a cidade e a zona rural, Marli logo percebeu que estava gastando mais tempo e energia do que imaginava. Sem uma boa organização, a rotina virou um caos.


3. Resiliência e Flexibilidade


Quando as coisas começaram a dar errado, em vez de buscar alternativas ou ajustar seu plano, Marli insistiu no modelo inicial. A falta de flexibilidade é um grande inimigo de qualquer empreendedor.


4. Responsabilização e Aprendizado


Quando o negócio das calcinhas fracassou em menos de um ano, Marli colocou a culpa em todo mundo: na prefeitura, na falta de apoio, na logística complicada, e naquele conselho Cigele que no seu modo de pensar não queria vê-la prosperar. Ela não olhou para dentro, não reconheceu os próprios erros e, consequentemente, não aprendeu com a experiência.


O PREÇO DA FALTA DE AUTOGESTÃO


O fracasso de Marli não foi por falta de capacidade, mas por falta de autogestão. Quantas vezes nos encontramos na mesma situação? Temos ideias, sonhos e energia, mas falhamos ao planejar, organizar e ajustar nossas ações.


A verdade é que sem autogestão, até as melhores ideias podem fracassar. Não basta sonhar – é preciso colocar o sonho no papel, planejar os passos, calcular os riscos e estar disposto a ajustar o plano sempre que necessário.


O QUE MARLI PODERIA TER FEITO DIFERENTE?


Se Marli tivesse desenvolvido suas habilidades de autogestão, o resultado poderia ter sido outro. Vamos pensar juntos em alguns passos que ela poderia ter dado:


1. Ouvir com Empatia e Reflexão


O conselho de Cigele era valioso. Marli poderia ter analisado a sugestão e comparado os custos e benefícios de criar galinhas caipiras versus fabricar calcinhas na zona rural. Nem sempre desistir de uma ideia significa fracassar – às vezes é apenas mudar a estratégia.


2. Fazer um Planejamento Detalhado


Antes de investir no negócio, Marli deveria ter calculado todos os custos, tempo e esforço envolvidos. Um planejamento detalhado ajuda a identificar riscos e evitar surpresas.


3. Buscar Apoio e Capacitação


Além de buscar apoio financeiro, Marli poderia ter investido em capacitação. Cursos de empreendedorismo ou oficinas de gestão poderiam ter ajudado a desenvolver habilidades essenciais.


4. Praticar a Responsabilização


Reconhecer os próprios erros é o primeiro passo para aprender com eles. Em vez de culpar os outros, Marli poderia ter refletido sobre o que deu errado e como poderia fazer diferente no futuro.


UMA LIÇÃO PARA TODOS NÓS


A história de Marli não é só dela. Quantos de nós já tivemos sonhos e planos que não deram certo por falta de autogestão? É fácil culpar as circunstâncias ou as pessoas ao nosso redor, mas o verdadeiro poder está em assumir a responsabilidade pela nossa vida.


Autogestão não é algo que nasce com a gente – é uma habilidade que podemos desenvolver com esforço e prática. E o Coaching pode ser uma ferramenta poderosa nesse processo.


No fim das contas, a história de Marli nos ensina que empreender – seja em negócios ou na própria vida – exige mais do que vontade e entusiasmo. Exige autoconsciência, planejamento e a capacidade de se adaptar às mudanças.


Então, que tal refletir: em que áreas da sua vida você precisa de mais autogestão? O que você pode aprender com Marli para evitar os mesmos erros? Porque, no final das contas, o sucesso é resultado de decisões conscientes e bem planejadas.

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